Tanta coisa que me encanta e nem precisa muito. Um sorriso meio torto na hora do almoço. Um esbarrão em meio a um corredor vazio. Um olhar mais demorado sobre meus olhos. Um abraço desajeito, mas apertado. Um pouco de verdade na hora de dizer Olá. Um beijo na testa e um afago na nuca. Um cafuné, um carinho inesperado ou até um esperado. São tantas coisas que me ganham, são tantas. Um dia de sol com cheiro de chuva, eu e você em meio a um gramado, imitando um piquenique, sem cesta, sem sanduíches ou ponches ou maçãs. Só eu e você e uma bicicleta velha, enferrujada. Pois é, as coisas enferrujam, e até nisso há beleza. A beleza está em coisas novas ou velhas, pequenas ou grandes, mas eu gosto mesmo é da beleza que encontro no arco-íris da menina de seus olhos. Cheio de vida, cheio de ferida, tão cru, tão real. Daria a mão a palmatória para que pudessem sentir o que sinto quando olho para eles cheios de intensidade, de verdade, querendo me dizer tudo aquilo que já captei. Daria um dedo se todos no mundo sentissem uma única vez na vida o formigamento que sinto quando toca em mim, mesmo que sem querer, mesmo que pra provocar. Minhas mãos adormecem, mas ao mesmo tempo ficam mil vezes mais sensitivas. Sabe, já quis entender, já até procurei entender, alguma explicação em alguma música, um livro, uma prosa, um verso, mas dei com os burros n'água. TU-TU-TU. Nada. Nenhum explicação, um breve capítulo sobre o assunto. Mas dizem que essas coisas não se entendem mesmo, na verdade a gente nem deve tentar, senão perde a mágica, o encanto por detrás da pele e da química. Que coisa estranha antes te ver sem te notar. Amores a segundas, terceiras ou quartas vistas são ainda mais instigantes, mais animadores e reconfortantes. Te vi centenas, quem sabe milhares de vezes e foram preciso milhões de encontros para que meu coração balançasse, para que a sirene apitasse e fosse dada a largada. Não fosse como fosse não seria tão especial, tão letal, tão sazonal. Não precisou muito para me encantar, pra me ganhar, foi só o tempo dizer!
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