Tuesday, February 25, 2014

Um amor proibido

A vida é mesmo louca. Quando se tem o que se quer o mundo parece girar diferente e o chocolate tão saboroso dá repulsa. Lembro como se fosse hoje minha primeira "traição". Não foi uma traição consumada, mas como dizem que só de pensar a traição já existe, cá estamos em uma emboscada. A lebre e a tartaruga, ou nessa caso, duas tartarugas. Ele era do tipo cabelo pra frente, roupas descoladas demais para garotos daquela idade e uma habilidade para tirar sorrisos de mim que eu nunca encontrei em mais ninguém. Ele tocava violão e jogava futebol. Os cabelos voavam a medida que ele corria. As garotas se aproximavam a medida que as melodias ganhavam forma. Eu que não era fã de rock'n roll na época, me peguei ouvindo Skid Row adoidada, querendo decifrar as entrelinhas daquela música que ele me ofereceu. Tantos encontros e desencontros em poucas horas. Tantas oportunidades desperdiçadas, lançadas no calabouço que são as esperanças. Bendita Internet que está aí desde sempre nos fazendo reafirmar laços e conquistar corações de cidadãos espalhados por aí. Meses sem aquele cheiro doce e suave. Mesmo na era digital, a beleza estava nas cartas cheias de desenhos e declarações enviadas por carteiros alheios ao amor. Certo dia quando a chuva parou de cair o coração falou mais alto, as cordas desataram os nós e a vontade diminuiu os quilômetros que distanciava corações esperançosos e apaixonados pelo impossível. O proibido tem essa mania de nos fazer querer entrar, escancarar as verdades e esconder os mitos debaixo do tapete. É essa ideia de sonhos roubados, coagidos por um mundo acelerado e desigual que nos faz seguir em frente em breves instantes de loucura. Cá estamos, em pleno século 21, andando de mãos dadas pelas ruas da cidade, tão felizes quanto duas crianças que acabaram de acordar no Natal. A beleza de tudo isso está
 nas entrelinhas daquela música e no juramento exagerado de que 'você nunca estará sozinha'.

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