Tuesday, February 25, 2014
Sem motivo
Quando você sofre a vida para por um instante, ou dois, três. Tudo depende do buraco que foi aberto. E às vezes a gente não se da conta de que o mundo não para. O chão continua lá, mesmo que você não sinta. A garganta continua engolindo, mesmo que o nó formado dentro dela faça você achar que não. E quando você sofre por algo sem uma explicação decente é ainda pior. Sabe por que? Porque você de fato não sabe o porquê de estar sofrendo. E aí você chora, mas nem sabe por qual motivo. Você não tem um alvo, uma ferida para deixar sangrar de vez até que estanque sozinha. Aí você vaga por aí, entre um buraco e outro, tentando encontrar o premiado, aquele que deve ser velado. Uma perda é aceitável. Uma dor a ser sentida também. Agora, uma perda e uma dor sem um ponto final não deveriam ser dignos de sepultura em nossos corações. Essas coisas ocupam lugares sagrados. Lugares especialmente guardados para quando tivermos motivos reais para enterrar. Mas, não é por isso que o chão se refaz como em um passe de mágica. As xícaras continuam quebradas no chão da cozinha e o café fica sempre amargo. Até que você tome coragem e vá pedir uma xícara de açúcar a algum vizinho novo. Adoce até parar de amargar.
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