Tuesday, November 27, 2012

Vivendo e aprendendo

Eu aprendi nesses últimos meses que tenho que ter mais confiança em mim. Largar mão de ser covarde e assumir minhas vitórias e minhas derrotas, minhas alegrias e minhas tristezas. Passar mais tempo vivendo do que presa dentro de meus devaneios. Aprendi que sou tão eu e que ninguém tem o direito de tirar isso de mim. Tenho visto o quão injusta fui com a vida, deixei-a passar assim como um trem passa na plataforma, nem sequer comprei um bilhete. Hoje vejo que deveria ter embarcado, em qualquer estação para qualquer lugar, com qualquer pessoa. Me dei essa chance e vejo nessa pequena janelinha tantas coisas, oportunidades, lugares, alegrias e flores, muitas flores. A verdade é que esqueci as minhas verdades, deixei todas de lado e me enclausurei. Deixei meu eu adormecido e puta que pariu, como senti falta de mim, das minhas falhas, dos meus defeitos, das minhas divagações, das minhas vontades, das minhas besteiras sem eira nem beira. Minha alma gritava tão alto e eu com o volume do iPod no máximo nem aí. Sufocada por um punhado de coisas que me angustiavam e que ironia, acabei me acostumando com tudo aquilo que mais profanei. Acabei de rendendo a monotonia, aos dias cinzas e chuvosos, as terça-feiras, puta que pariu eu odeio terças-feiras. Deixei minhas fantasias e estorelhas babacas de lado e fui viver um drama mexicano, que sentido isso faz? Parei de falar alto em prol dos bons modos, larguei mão das noites viradas com gargalhadas e mojitos, parei de tentar decifrar desenhos em nuvens, me anulei, me agredi tão fundo que hoje percebo o quanto a cicatriz dói. Dói, mas dói de um jeito que eu posso curar, todo dia troco o curativo e hoje só preciso passar uma pomadinha e tá tudo certo. E eu fui descobrir da única maneira que não imaginava: mudando, reinventando. E hoje tenho sim reinventado um sorriso por dia, uma piada aqui e ali, um pulinho no meio da rua, uma música mais carnal, um dia mais ensolarado. Putz, eu gosto de cerveja gelada, de contato visual, de gente de verdade, que fala o que pensa, que não afaga quem "odeia", que tem riso fácil e pureza nas palavras. Eu gosto mesmo do que é simples, do que tá ali pronto pra usar e não daquela coisa toda de elaborar e esperar, esperar, esperar. Poxa, a vida já é tão curta e a gente ainda tem que esperar? Eu espero sim, mas eu espero dias de sol, espero o carnaval chegar, espero meus amigos passarem para me pegar, espero minha cerveja no bar, espero o dia nascer no horizonte, espero meu carvão apagar, espero enlouquecida pelo horário chegar, para eu poder me esbaldar, para eu poder namorar, abraçar, correr por aí e até para nadar nesse mar. Mas, não espero nunca os olhos deixarem de brilhar, a faísca do amor apagar, o colorido acinzentar, a flor murchar. Deve ser por isso que nunca suportei salas de espera, escritórios fechados e pessoas vazias. Vazias de calor, de senso de humor, de idiotice, de vitalidade, de planos mirabolantes e até mesmo de surpresas malucas. Quero sim construir uma vida, quero trabalhar e crescer, mas não quero nunca ser dependente de coisas que devem fazer parte da minha vida e não ser minha vida. É como a frase que minha amiga fez ficar martelando na minha cabeça "SPEND MORE TIME LIVING", é disso que eu to falando. Ser criança todo dia é um jeito melhor de começar o dia, sempre. Eu tava falando do que eu aprendi nos últimos meses, eu aprendi a desejar menos e aproveitar mais, agradecer mais e passar por essa vida de cabeça erguida. Não reclame, aproveite!

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