Eu queria escrever algo sobre você. Sobre sua pele cor de cuia, seus olhos escuros como o mato, a pele macia de veludo. Queria descrever os olhinhos pequenos quando risonhos, as mãos tamanho PP encaixando-se nas minhas. Ah, como eu queria contar pra todo mundo o jeitinho que pisca os olhos quando acorda, reclamando com a claridade. Queria conseguir descrever o modo como me apertar contra o vão da cama e me deixa coberta por abraços e carinhos no meio da noite. Queria poder dizer pra todo mundo como eu brilhava toda por dentro quando recebia uma notícia sua, um chamego, um rastro. Eu queria que todos soubessem como me sentia quando via você esperando do lado de fora, e a maneira como queria pegar a borracha e apagar aquele corredor, só pra poder te abraçar logo. Já fiz inúmeras tentativas. Tentei e destentei. Já te esqueci e já te lembrei. Já fiz o que pude, e as palavras não saem, não conseguem formar frases. Deve ser o ar gelado do inverno que congelam minhas mãos ou meu coração. Já comecei `n` vezes, e nenhuma delas se fez juz a coletânea de emoções que você causa em mim, no meu corpo e na minha mente. Acho que é confuso demais. Acho que é ainda, e enquanto for ainda, não será nada. Por isso deixo em aberto o capítulo deste livro, deixo as entrelinhas do que ainda não foi escrito falar por mim!
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