Wednesday, June 16, 2010

Pingos

De um jeitinho abrupto tomou meus nós todos pra si. Por isso a tempestade quando o sol se foi. Imaginei, o que seria uma gota perto de um oceano? É isso que me fez parecer, depois dos pingos que salpicaram minha janela. Um rio de idéias todo pra mim, temperado. Não quero estilhaçar o prato em que almocei, jantei, tomei meu café da manhã e da tarde. Só quero deixar claro, para mim mesma, que é a única pessoa que precisa ver isso sem vultos e fantasmas na frente. Quero me deixar ciente de que uma garoa não vai abalar o que nem mesmo uma tempestade conseguiu. E às vezes chove dentro de mim, vai continuar chovendo, eu sei. E não há guarda-chuva nem capa que me proteja. Eu quero sentir os pingos cortando meu rosto, se espalhando pouco a pouco, atingindo o íntimo, lavando o ínfimo. Porque se não der certo, a graça fica na mania de arriscar!

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