Saturday, June 19, 2010

lembranças

As cores que o céu transmite tem poder. Influenciam no humor e muitas vezes na dor. Quando o céu fica azul cor de mar, os problemas parecem escoarem-se no oceano. Se fechar o tempo, enegrecer o céu e sumirem as nuvens, é tiro e queda, as preocupações voltam de viagem, tocam a campainha, se deitam na cama e ficam te atazanando até servir-lhes o jantar. Quando chove nos engaiolamos dentro de nossos próprios eus, nos algemamos a nossa mente e só queremos sentir a tristeza se balançar diante de nossos olhos. Nós escolhemos assim, sempre no fundinho ou na pontinha encontramos algo de que não queremos lembrar. Um pedaço de cheiro, um cantinho de cores. As cores mais vibrantes, o cheiro mais intenso, as lembranças ainda vivas tentam se fazer de frágeis, quebradiças. Mas, as lembranças não são janelas, são portas. Se forem janelas não seriam lembranças, não seriam lembradas. E dentro de cada dia encontramos sempre algum resquício perturbador ou calmante de memórias. Se pudéssemos jogá-las pela janela ou chutá-las porta à fora...

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