Já desisti de tentar entender qualquer fagulha que brilhe por entre minhas cortinas. Qualquer motivo de sorriso que meus lábios tentem esboçar. Cansei de tentar concluir e nunca chegar a lugar algum. A grandeza disso tudo me faz sentir um grão de areia na neve. É tudo infinito demais para que eu possa tocar. Foge do alcance da esperança, se encontra tão leve em frente ao sol. Esperando na fila eterna para poder dizer adeus. Quem é que nos dias de hoje ainda diz adeus? Tão mais cômodo dizer nada, dizer vazio, dizer solidão. Solidão ou solidez? Acho que uma leva a outra, a primeira leva a segunda ou vice-versa. Vice-versa? Não. A solidez não te levará à solidão, te leverá pra algum lugar em vão. Não sei mais parar de pensar sobre o universo e suas coisas, e as perguntas vão cada vez ficando mais insanas, insensatas. Já desisti também de tentar te entender, Universo. Fico aqui com meus botões e agulhas, tentando costurá-los, compreendê-los em seus devidos lugares. Se quiser explicar o inexplicável, compre um gravador, fale e depois ouça. Pois, eu também já desisti de tentar ouvir...
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