Friday, March 21, 2008

vale do riso

Ler antigas cartas de afeto, velhas fotos transparecendo laços de amizade, de confiança e segurança - enterrados próximo a árvore mais alta, mais intensa, mais imensa. Agora não se pede mais 'duas cerveja, amigão' e sim 'me vê um suco - de morfina, por favor'. O que dói mais que não ter amigos? Tê-los e perdê-los - entre aspas. Um amigo não se perde, se deixa no tempo, nas estradas, nos caminhos. Triste é passar por um desses atalhos e lembrar das vezes anteriores em que passou por ali - acompanhado. O que entristece é a cadeira vazia na mesa de refeições, o lugar vago no seu time da escola. O que desola é saber-se ali e não poder ter-se ali. As vezes por questões um tanto quanto 'importantes' - mas, não seria essa a palavra. Vezes sim, vezes não por algo que te vale 'mais' - e o que vale mais? E deixamos assim como está, por medo de por na balança, e ela indicar o que não se quer ver - o pesado é leve, e vice-versa. Quem pode saber com quantos amigos se faz uma vida? Eu precisei de muitos - valiosos em pequenas coisas. Meu pranto é saudade, só saudade, que gosta de cair pelos olhos como cachoeiras - revivendo os dias de rios & risos.

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