O que eu mais faço por aí é descrever coisas, pessoas.. e numa dessas declarações por aí, acabei descobrindo, como uma criança que aprende à amarrar o cadarço, que eu não sei quem sou.. não sei me descrever, talvez por ter medo do que vá lerno papel ao terminar, talvez por mudar minhas concepções com frequência.. descobri também entre tantas outras coisas que eu não sei dizer te amo.. é duro admitir, mas não sei. Demoro pra encontrar alguém com quem possa ser como sou diante de um papel e uma caneta, transparente.. e quando encontro faço o grande favor de passar uma borracha nesse alguém.. Em todo curso da minha vida, procurei transparecer ao máximo minhas angústias e alegrias.. ao mesmo tempo em que consegui emitir as alegrias, fracassei nas angústias.. Digo, em partes. O que me traz aqui na verdade, é uma certa agonia que vem sendo minha companheira de tantas e tantas noites mal dormidas.. pelo menos ela sempre me traz o café. O que me incomoda é não saber o que vai acontecer na semana que vem.. se vai chover, ou fazer praia.. se meu time vai ser campeão.. se eu vou cruzar o mesmo caminho duas vezes.. Me deixa sem rumo lembrar memórias de um passado recente, e saber que não posso voltar e interferir nos acontecimentos.. A vida é cheia de caminhos, estradinhas e atalhos.. as vezes precisamos passar por essas estradinhas pra aprendermos o verdadeiro sentido das coisas.. mas em alguns casos, juro que preferia ter escolhidos os atalhos.. eles são mais perigosos, incertos, mas eu não estaria hoje onde estou.. A verdade é que eu repudio a rotina, e faço qualquer coisa pra desconcertá-la.. Só lamento as chances serem dadas apenas duas vezes, não três.. É como dizem, "dois é bom, três é DEMAIS".. Ficamos assim!
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